Por que monitorar o período de transição? Por que monitorar o período de transição? : Allflex Brasil

Por que monitorar o período de transição?

O período de transição, compreendido entre as três últimas semanas antes do parto e as três semanas logo após o parto, é um momento desafiador para as vacas e para os produtores de leite.

Por que monitorar o período de transição?

O período de transição, compreendido entre as três últimas semanas antes do parto e as três semanas logo após o parto, é um momento desafiador para as vacas e para os produtores de leite. A literatura nos mostra que algumas alterações durante esta fase são fisiológicas e vão ocorrer independentes do manejo. Porém, a intensidade com que essas mudanças ocorrem tem grande correlação com a ocorrência de doenças. Assim, o trabalho adequado neste período determinará o sucesso da nova lactação do animal.

 

Uma das alterações normalmente observadas nas vacas ao se aproximarem do parto é a redução do consumo de alimentos. Isso pode ser observado desde os últimos 30 dias antes da data prevista para o parto, sendo mais intenso na última semana. O consumo de alimento fica reduzido tanto para vacas quanto para novilhas, que, por sua vez, apresentam uma queda mais intensa, como pode ser observado na Figura 1. A queda intensa do consumo de alimentos compromete todo a fisiologia normal do animal e doenças metabólicas podem ocorrer, como a cetose, por exemplo.

Figura 1. Comportamento da redução transitória na ingestão de matéria seca de vacas e novilhas ao redor do parto (Fonte: Ingvartsen and Andersen et al., 2000)

 

A seleção genética das vacas visando maior produção de leite ao longo do tempo fez com que os animais especializados direcionem os nutrientes ingeridos de forma muito eficiente para a produção de leite. Isso significa que o uso dos nutrientes, principalmente da energia, por outros tecidos do corpo que não a glândula mamária, fica comprometido quando o animal não se alimenta adequadamente. Esse comprometimento ocorre de forma intensa durante o período de transição, pois o animal precisa se preparar para a produção de colostro e para o início de uma nova lactação. Com isso, tecidos e células que desempenham função imune, por exemplo, podem ter sua atividade afetada, aumentando as chances de o animal ficar doente.

 

As doenças que podem ocorrer com a vaca durante o período de transição, tem um grande impacto sobre a produção de leite e sobre a reprodução desse animal. Cerca de 30 a 50% das vacas leiteiras apresentam alguma desordem metabólica ou infecciosa ao redor do parto, devido ao quadro transitório de imunossupressão. A gravidade e a duração desses quadros clínicos podem variar de acordo com as medidas de manejo e monitoramento adotadas pela fazenda durante os períodos de maior risco. Animais saudáveis, que não tiveram nenhum quadro de doença clínica durante os primeiros 60 dias após o parto, apresentam melhores resultados de prenhez à primeira inseminação do que animais que apresentaram alguma doença.

 

Além de comprometer a reprodução dos animais, a ocorrência de doenças durante o período de transição também determina uma menor produção de leite pelas vacas. Pesquisadores já demonstraram que pode se esperar uma queda de aproximadamente 5,5kg de leite na produção média diária dos animais quando alguma doença como retenção de placenta, metrite, deslocamento de abomaso, problemas digestivos e mastite, ocorre nos primeiros 60 dias de lactação.

 

Identificar doenças com antecedência é crucial para a atividade leiteira

 

Poder predizer ou mesmo identificar com maior antecedência quais animais terão problemas de saúde durante o período de transição deve ser um importante objetivo dentro das fazendas leiteiras. Manejos periódicos de checagem dos animais são necessários, porém muitas vezes podem determinar que ele fique muito tempo em pé ou longe do cocho de alimentação e da cama. Dessa forma, ao tentar resolver um problema, podemos criar outro sem nos dar conta.

 

Ferramentas que nos possibilitem identificar com agilidade animais com alguma alteração, sem necessidade de manejos laboriosos, são normalmente bem-vindas nas propriedades leiteiras. Uma destas ferramentas, muito difundidas ao redor do mundo, é o monitoramento por meio de sistemas automatizados, como o da Allflex. Este sistema é baseado em tecnologias que nos informam sobre o tempo de ruminação diária, a atividade, a frequência respiratória e o tempo de alimentação dos animais. Cada animal é avaliado individualmente 24 horas por dia, enquanto estiver usando o dispositivo, que pode ser um colar ou um brinco. Com esses dados, o sistema consegue gerar informações que são transmitidas ao produtor na forma de relatórios e alertas, que podem ser visualizados diretamente no software ou nos diferentes dispositivos em que o produtor possui a plataforma.

Figura 2. Imagem do gráfico de ruminação de uma vaca na plataforma Heatime Pro, Allflex®. A área em roxo representa o tempo de ruminação diária do animal. O símbolo em verde indica a data do parto e o símbolo em vermelho com uma cruz branca indica que o animal precisou ser examinado naquela data.

 

Quando começamos a monitorar os animais pelo menos 30 dias antes da data prevista para o parto, conseguimos acompanhar sua condição de saúde e conforto durante todo o período de transição. Se o animal apresentar uma queda acentuada da ruminação ou alterar seu padrão de atividade, alertas serão gerados para que se possa fazer um exame clínico do animal e diagnosticar o problema. Como essa identificação dos animais com alteração pelo sistema de monitoramento ocorre de forma rápida e eficiente, a severidade dos quadros clínicos tende a ser menor. Desta forma, consegue-se reduzir o uso indiscriminado de antibióticos, tornar os tratamentos com essas substâncias, quando necessários, mais eficientes, e garantir o desempenho do animal ao longo da lactação.

 

Cuidado com o estresse térmico durante o período de transição!

 

Vários impactos negativos resultantes de sua ocorrência do estresse térmico já foram identificados. Pesquisadores demonstraram que o desconforto térmico durante o período de transição, em especial durante o pré parto, tem efeitos maléficos sobre a produção de leite dos animais e sobre a bezerra que irá nascer. Bezerras nascidas de vacas que passaram por estresse térmico durante o período seco nascem com cerca de 5kg de peso vivo a menos que as bezerras de vacas que foram resfriadas e que não passaram por desconto térmico durante o pré parto.

 

Muitas fazendas já se atentaram para a necessidade de resfriar seus animais, principalmente durante a lactação, em que os efeitos sobre a produção de leite são mais perceptíveis. Porém, poucas fazendas conseguem afirmar que sua rotina de resfriamento está sendo eficiente ou se precisa ser reajustada. Há mais de uma forma de verificar a qualidade do resfriamento praticado na fazenda, mas normalmente depende de aferir a temperatura retal dos animais, o que pode ser trabalhoso e dificilmente fornecerá informações em tempo real para tomada de decisões rápidas. O sistema de monitoramento da Allflex permite verificar, a qualquer momento, se o lote monitorado está em estresse térmico. Com isso, o produtor pode avaliar rapidamente e diariamente, se sua rotina de resfriamento está sendo eficiente ou se precisa ser ajustada, ou até mesmo implementada.

 

Figura 3. Imagem do relatório de rotina de grupo na plataforma SenseHub Dairy, Allflex®. A área em vermelho representa a porcentagem de animais do lote em estresse térmico.

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